Este não é um livro contra a fé. Pelo contrário. É contra o uso da fé como ferramenta de poder.
Nos bastidores de igrejas midiáticas, movimentos religiosos em expansão e discursos cuidadosamente ensaiados, há algo que poucos têm coragem de investigar: a transformação do sagrado em espetáculo, da pregação em produto, e da esperança em estratégia de arrecadação.
Uma Falsa Ponte para Deus não acusa, expõe. Não faz barulho, acende luzes. E convida o leitor a olhar para onde muitos já não olham: para o caminho entre o púlpito e os fiéis. E quem se colocou entre eles.
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R$ 6,99 na amazon.com.brCapítulo 5 – O Evangelho de Vitrine.
Quando a mensagem vira produto e o púlpito um palco.
No centro do palco havia uma estrutura metálica em forma de cruz com LEDs que pulsavam conforme o ritmo da música. O pregador surgia de uma plataforma elevada ao som de efeitos sonoros dignos de um espetáculo de abertura olímpica. Em suas mãos, não havia uma Bíblia, mas um microfone com o logotipo da igreja estampado em dourado.
A transmissão ao vivo já estava no ar, com três câmeras em movimento, operadores de drone e um diretor de cena no ponto eletrônico. Era culto, diziam. Mas tinha mais elementos de reality show do que de reunião espiritual. O púlpito agora é palco. E a mensagem, vitrine.
Durante meses, acompanhei o crescimento das chamadas “igrejas midiáticas” — templos organizados como estúdios, com iluminação profissional, telões interativos e cultos roteirizados. Mas o que impressiona não é apenas a estética. É o discurso.
A mensagem foi moldada para ser digerível, otimista, e absolutamente vendável. Pregadores não falam mais do pecado, mas de propósito. Não confrontam, motivam. Não citam mais Jesus crucificado. Citam o “Jesus coach”, que quer que você seja feliz, próspero, resolvido. Tudo muito limpo. Muito claro. Muito comercial.
A linguagem foi adaptada para o mercado. Ouvi líderes dizendo que os sermões devem ter “gatilhos mentais”. Que a pregação precisa “gerar autoridade”. Que o conteúdo precisa ser “instagramável”. Não é mais sobre a verdade. É sobre o engajamento.
O evangelho virou produto. As frases são curtas, poderosas, prontas para virar camiseta, adesivo, legenda. As imagens são ensaiadas. Os sorrisos são treinados. O fundo musical é pensado para emocionar, como se faz nos filmes.
As mensagens duram o tempo exato de um vídeo de YouTube. São pensadas para viralizar. E por isso evitam polêmicas.