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O Roubo dos 500 Milhões (Edição em Português)

115 páginas - a partir de R$ 6,99

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São Paulo, janeiro de 1965. Em plena luz do dia, uma Kombi carregada de dinheiro do Banco Moreira Salles é interceptada na Praça do Patriarca. Tiros, pânico, uma morte brutal. A cidade para. Os jornais enlouquecem. E o país testemunha um dos assaltos mais audaciosos da história.

Mas o que ninguém sabia — até agora — é que havia uma testemunha ocular: Rubens Barreto, colunista do jornal Última Hora, que acompanhou tudo de perto. De muito perto.

Nesta narrativa que mistura jornalismo, romance e humor ácido, Heron Robledo resgata uma história baseada em fatos reais, revisita os bastidores do golpe militar de 64, revela a articulação da ALN, a falha grotesca da segurança pública e as intrigas entre bandidos, militares e jornalistas. Um thriller histórico contado por quem viveu — e sobreviveu — ao caos do Brasil da ditadura.

Misture Gabriel García Márquez, Saramago e um toque de Woody Allen. O resultado é este livro.

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Introdução.

Havia seis meses, pouco menos pouco mais, que Assis Chateaubriand e Edmundo Monteiro haviam aceitado minha proposta de criar uma coluna para noticiar e comentar os assaltos que ocorriam, cada vez com mais frequência, na cidade de São Paulo e proximidades.

A ideia me surgiu quando, tomando um café no Bar Pérola da Sete, na Rua 7 de Abril, entabulei uma conversa com um sujeito bem-humorado, simpático e elegante que depois de meia hora de boas risadas, se apresentou como um comerciante local.

“Walter Francisco Sprovieri, lojista, seu criado. Muito prazer.”

“Rubens Barreto, jornalista. O prazer é meu, seu Walter.”

Dissemos ao mesmo; Walter: “Jornalista onde?”. Eu: “Lojista onde?”

E caímos na gargalhada.

Pedi desculpas.

“Primeiro o senhor, seu Walter, por favor.”

“Eu tenho uma lojinha de armas do outro lado da ponte, na Rua Líbero Badaró.”

“Lojinha de armas? Aquela loja enorme, ‘Ao Gaucho’, é sua? O senhor é o proprietário?”

“Sim, com muita humildade, pertence à nossa família há algumas décadas.”

Aquela era a maior loja de armas da cidade, talvez do país, e vendia de armas para caça até revólveres importados e munições; o estabelecimento fornecia para forças de segurança de vários estados e até para as Forças Armadas.

“E o senhor, seu Rubens, trabalha em algum jornal?”

“Sim, trabalho no Diário da Noite, aqui ao lado.”

“Mas isso é magnífico, conhecer pessoalmente um jornalista de tão respeitado veículo de imprensa! Alguma seção do jornal em especial?”

Esse seu Walter não era um sujeito bem-sucedido por acaso; ele era astuto, levava o interlocutor onde queria.

Era mentira que eu trabalhava no jornal. Meia mentira, talvez, porque já havia feito alguns trabalhos esporádicos, coisa insignificante.

Mas aquela pergunta “Alguma seção do jornal em especial?”, foi a deixa para eu entabular uma proposta sobre minha ideia de criar a coluna “Notícias de Assaltos”.

“Fui contratado para criar uma coluna policial para o jornal. O nome será ‘Notícias de Assaltos’”.

Os olhos de Walter brilharam. E se eu pudesse ler seus pensamentos, veria uma fila enorme de pessoas em frente sua loja à procura de armas defensivas.

Nem precisei oferecer uma campanha.

“Quem sabe o senhor não tem interesse em um patrocinador da coluna? Talvez um anúncio do ‘O Gaúcho’ no rodapé da coluna? Custa muito caro?”

Chutei: “Nossa tabela para esse tipo de patrocínio, o senhor sabe, armas não podem ser chamadas de ‘produto inofensivo’, é de cinquenta mil cruzeiros por mês.”

“Passa na loja amanhã para finalizarmos os detalhes. Até amanhã e muito prazer.”

Fiquei paralisado, de boca aberta.

Discuti os termos com o Jornal. Walter aceitou a proposta. O jornal ficou com a metade da verba e eu com a outra metade.

Para mim, foi um golpe de muita sorte porque eu era um jornalista, até então, desconhecido.

Além do excelente salário – com dois meses de salário dava para comprar um carro popular, era a chance para que eu me tornasse um jornalista conhecido.

E assim nasceu a coluna “Notícias de Assaltos” no Jornal Diário da Noite.