Descubra a trágica e fascinante história do galeão S. João, uma das mais dramáticas aventuras marítimas do século XVI.
Nesta primeira edição das "Crônicas de Navegantes Perdidos", Bernardo Gomes de Brito narra o destino cruel do galeão que, em sua viagem de regresso das Índias para Portugal, enfrentou tempestades avassaladoras e um naufrágio devastador. Através de relatos detalhados e emocionantes, reviva a luta pela sobrevivência dos marinheiros e passageiros, suas perdas e esperanças, enquanto se defrontam com a imensidão do oceano e a crueldade da natureza.
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R$ 6,99 na amazon.com.brTambém se diz que o capitão vinha já naquele tempo maltratado do miolo, de muita vigia e muito trabalho, que carregou sempre nele mais que todos os outros. E por vir já desta maneira, e cuidar que lhe queriam os nativos fazer alguma traição, lançou mão à espada, e arrancou dela para os nativos que iam remando, dizendo: “Perros, aonde me levais?”.
Vendo os nativos a espada nua, saltaram ao mar, e ali esteve em risco de se perder. Então lhe disse sua mulher, e alguns que com eles iam, que não fizesse mal aos nativos, porque se perderiam. Em verdade, quem conhecera a Manoel de Sousa e sabia de sua discrição e brandura, e lhe vira fazer aquilo, bem poderia dizer que já não ia em seu perfeito juízo, porque era discreto e bem atentado. Dali em diante ficou de maneira, que nunca mais governou a sua gente como até ali o tinha feito. E chegando da outra banda, se queixou muito da cabeça, e nela lhe ataram toalhas, e ali se tornaram a juntar todos.
Estando já na outra banda para começar a caminhar, viram um golpe de nativos, e vendo-os se puseram em som de pelejar, cuidando que vinham para os roubar, e chegando perto da nossa gente, começaram a ter fala uns com os outros, perguntando os nativos