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Histórias Verídicas de Navegadores Perdidos (Edição em Português)

Histórias Verídicas de Navegadores Perdidos
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“Histórias Verídicas de Navegadores Perdidos” resgata do esquecimento as crônicas de Bernardo Gomes de Brito, oferecendo aos leitores contemporâneos uma janela para o mundo épico e brutal das grandes navegações. Através da adaptação da obra original, este livro nos transporta para um tempo em que a ambição, a fé e a força da natureza conviviam de forma dramática.

A história de Manoel de Sousa e o Naufrágio do galeão S. João, é um bom exemplo disso. Sousa e sua tribulação, naufragados nas costas africanas, é um testemunho vívido da resiliência humana diante da adversidade. Acompanhamos a jornada destes homens e mulheres enquanto enfrentam tempestades furiosas, fome, sede e a constante ameaça da morte. A narrativa, rica em detalhes e emoção, nos convida a refletir sobre o valor da vida, a importância da esperança e a força do espírito humano.

Ao adaptar o texto original destas seis histórias reais, procurei preservar a autenticidade da linguagem e do estilo do século XVI, ao mesmo tempo em que o tornei acessível a um público mais amplo. O propósito é que o leitor possa apreciar não apenas a emocionante saga dos náufragos, mas também a beleza e a complexidade da língua portuguesa de outrora.

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IV - Naufrágio das naus Águia e Garça.

Sucesso que tiveram as naus Águia e Garça, vindo da Índias para este reino, no ano de 1559.

Tomando o Viso-Rei D. Constantino de Bragança posse do governo da Índia, ficou o governador Francisco Barreto em Goa, para dali se partir para o reino.

E por que a nau Garça, em que viera o Viso-Rei D. Constantino no ano de 1558, era de mil toneladas, a maior que até então se vira no caminho da Índia, e não havia em Goa carga bastante para ela, pediu Francisco Barreto ao Viso-Rei que desse aquela a João Rodrigues de Carvalho para ir tomar a carga a Cochim. E lhe desse a ele a de João Rodrigues, que era mais pequena e já velha, por causa das muitas vezes que invernara naquela viagem, antes de chegar à Índia. O que o Viso-Rei fez com facilidade, por ser assim mais proveito da nau e dar gosto a Francisco Barreto, que o tinha a partir de Goa.

Consertada a nau Águia (que também se chamava Patifa), começaram de a carregar e meter nela os mantimentos necessários para a viagem. E sendo vinte de Janeiro do ano de 1559 se fez Francisco Barreto à vela, da barra de Goa, com que foram embarcados muitos fidalgos e cavaleiros, a requerer satisfação dos serviços que tinham feito a el-Rei, aos quais Francisco Barreto foi sempre dando mesa.

Foi esta nau fazendo sua viagem com ventos prósperos e bonançosos, e as outras partiram de Cochim no mesmo tempo, em que vinha D. Luís Fernandes de Vasconcelos, na nau Galega, com as mais naus da mesma conserva, que partiram quase no fim de Janeiro.

Todas estas naus, assim a de D. Luís Fernandes de Vasconcelos, como a em que ia Francisco Barreto, e as mais que partiram de Cochim, foram seguindo sua derrota com tempos levantes, até dobrarem a ilha de S. Lourenço e irem demandar a Terra do Natal.

E chegando à primeira ponta dela, que está 31 graus da banda do Sul, duzentas e trinta léguas do Cabo de Boa Esperança, pouco mais ou menos, lhes deu uma tormenta geral e muito rija, que as abrangeu a todas e as tratou de maneira que foi a total causa de as mais delas se perderem, umas mais depressa, outras mais devagar, conforme ao menor ou maior ímpeto com que as alcançou, sem estarem à vista umas das outras.