A crônica é um golpe de mestre: rápida, precisa e implacável. Em Crônicas Impertinentes, dez dos maiores cronistas da história—de Dickens a Twain, de Tchekhov a Kipling—desfilam sua ironia, seu humor ácido e sua crítica mordaz à sociedade.
Cada texto é um retrato da hipocrisia humana, da burocracia absurda, do jornalismo sensacionalista, da pompa vazia e da eterna preguiça institucionalizada. A leitura é divertida, mas também incômoda, porque expõe verdades que preferimos ignorar.
Para completar esse painel literário, Heron Robledo se une ao time com uma ode ao jornalismo sério, um dos últimos bastiões contra a superficialidade dos tempos modernos.
Um livro para rir, refletir e, acima de tudo, reconhecer que algumas impertinências são absolutamente necessárias.
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Leitura imediata no Brasil
R$ 6,99 na amazon.com.brOde ao Grande Jornal
Ler um veículo de imprensa sério e independente é um privilégio raro. A contrapartida dessa escolha é a alternativa de apenas assistir notícias, consumindo-as de maneira passiva, como quem vê o tempo passar. Não há mal nisso. Mas há restrições a considerar, pois, salvo raras exceções, o jornalismo atual é feito por jovens cuja experiência se limita ao conteúdo disponível na internet.
No jornalismo eletrônico, não há espaço para uma seção Editorial, onde o veículo expressa sua posição sobre os grandes temas da República, os valores democráticos, os princípios de um jornalismo que busca ser um guia para o bem comum.
A notícia na televisão e na mídia digital tornou-se efêmera. Um fato substitui o outro com velocidade vertiginosa, cada manchete apagando a anterior, como se a importância de um evento durasse apenas até a chegada do próximo. A urgência do instante destruiu a profundidade da análise.
Os bons jornalistas convivem com aqueles que, na melhor das hipóteses, não dominam o próprio idioma e, rotineiramente, cometem crimes contra o vernáculo.
Sou leitor de O Estado de São Paulo desde os meus 13 anos. Isso foi em 1966, quando o jornal era confeccionado por linotipia, um processo mecânico em que os caracteres de chumbo eram organizados manualmente, formando placas de impressão. Essas placas, montadas uma a uma, compunham as páginas do jornal, em um trabalho que exigia precisão e paciência.
Naquele tempo, eu era um adolescente de família humilde, sem condições de comprar livros. Lia tudo que me caía nas mãos. Mas o Estadão tinha um custo acessível, pequeno o suficiente para que eu pudesse pagar.
Por meio de suas páginas, acompanhei a história. Vi os grandes acontecimentos do país e do mundo, os momentos de glória e os tempos sombrios. O Estadão foi minha ponte para a compreensão do que se passava além do que meus olhos podiam alcançar.
Hoje, lamento os rumos do chamado jornalismo de audiência, esse formato que privilegia a superficialidade em detrimento da reflexão, que atende mais ao apelo do instante do que à busca pela verdade.
Mas rendo honras, reconhecimento e gratidão ao Jornal O Estado de São Paulo, que me concedeu o privilégio de ser seu contemporâneo. Em tempos de decadência do jornalismo sério, é um alívio saber que ainda existe um bastião da informação que resiste ao efêmero e se mantém fiel ao compromisso com a verdade.