Você deve ter ouvido coisas horrendas sobre o Golpe de 1964 no Brasil. Mas não vai encontrá-las nesta divertida paródia protagonizada pelo agente da CIA John Turner, bonitão e atrapalhado, sua equipe e inúmeros outros personagens apaixonantes.
A maioria dos fatos narrados são verdadeiros, como o golpe da campanha "Doe ouro para o bem do Brasil", uma trama diabólica que tomou o dinheiro e os anéis de grande parte de uma população simples, incauta e iludida. Outros são coisas que misturam gente interessante e realismo fantástico.
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R$ 6,99 na amazon.com.brCapítulo 3.
Turner fora treinado para manter a calma mesmo em situações de muita pressão. Mas naquela manhã de 28 de janeiro de 1964 reconheceu que havia sentido o peso da responsabilidade.
De saída, em vez de tomar seu comprimido diário da vitamina “ONE-DAY”, cuidadosamente manipulada na farmácia “BOTICA AO VEADO DE OURO” segundo a fórmula original da “BAYER AG” e cujo rótulo do frasco dizia “TOMAR UMA POR DIA”, tomou um comprimido do famigerado laxante “EX LAX” que era fabricado originalmente pela Chocolated Ex-Lax Company mas que “AO VEADO DE OURO” fez a gentileza de embalar em um frasco idêntico ao frasco do One-Day.Vestiu-se, abriu a porta para sair mas não sem antes dar uma boa olhada pela sala, como se não soubesse se um dia voltaria.
Ao estacionar o Bel Air na frente da porta da Padaria Lusitana, sentiu algo estranho na cavidade estomacal. Algo como uma bola que se movimentava freneticamente. Não comprou o jornal nesse dia.
Não pediu, como sempre, ovos mexidos com bacon, pão de forma torrado e suco de laranja. Em vez disso, consciente dos riscos, preferiu um simples pão com manteiga e uma xícara pequena de café com uma colher pequena de açúcar cristal.
Havia esquecido que as xícaras de café de praticamente qualquer bar de São Paulo eram mantidas em água fervente de maneira que estavam sempre higienizadas, sendo recomendado pegar a xícara com a proteção de um lenço, como daqueles da marca PRESIDENTE. Queimou os dedos indicador, polegar e anular da mão direita.
Manobrou o Bel Air para desviar da carroça verde do padeiro, que amavelmente o cumprimentou levantando o boné branco, passou com a roda dianteira direita do carro sobre um montinho de estrume fresco, desceu a Rua Líbero Badaró, virou à esquerda na Avenida São João, cruzou o Vale do Anhangabaú e estacionou em frente à entrada principal do prédio dos CORREIOS e TELÉGRAFOS, cuja beleza não cansava de admirar. De fato, o projeto de Ramos de Azevedo junto com a magnífica caixa de correio em ferro fundido que ostentava o Brasão de Armas do Brasil folheado a ouro na entrada principal do prédio, era uma dádiva para os olhos.
Nessa vez abriu primeiro a caixa postal 153. Ficou decepcionado; havia apenas um telegrama com os dizeres, em alemão, " siehe Kastenbeiträge Nummer neunzehn", que quer dizer “veja a caixa postal 19”